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Entrevista com Katia Puente, autora de "Mal-estar e ativismo juvenil: ato do desejo"

  • Foto do escritor: Editora Arte Literária
    Editora Arte Literária
  • 25 de mai.
  • 4 min de leitura


Mulher usando óculos e uma blusa preta, com um olhar confiante e simpático.
Katia Puente, autora do livro "Mal-estar e ativismo juvenil: ato do desejo"

Katia Puente é uma destacada socióloga clínica, com rica trajetória nas interfaces da psicanálise, sociologia e educação. Doutora em Psicanálise, Saúde e Sociedade pela Universidade Veiga de Almeida (UVA-RJ), mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGSA-UFRJ), onde também concluiu sua graduação e licenciatura em Ciências Sociais.


Seu trabalho é marcado por uma abordagem interdisciplinar que entrelaça os campos emocional, subjetivo e afetivo a aspectos sociais como cultura, linguagem e simbolismo.



Mal-estar e ativismo juvenil: ato do desejo , é um livro baseado na tese de Katia Puente.


Nas palavras da autora:


"O livro está lindo, ele fala da temática do desejo, da juventude, desse momento do mal-estar que todos nós vivemos quando temos a experiência da adolescência. E como é que esse jovem consegue transformar isso em sua forma de responder, de maneira ativa no campo social, a essa realidade? Esse ato como palavra, como posicionamento? Então, é um livro que serve para os pais, para os educadores, para quem ama a juventude, para quem é um ativista — e não há idade para ser um ativista, isso vai depender da sua experiência, da sua subjetividade, de em qual momento você está para construir nesse campo. Então, eu fiz um diálogo entre a Psicanálise e a Sociologia, as minhas duas áreas de apaixonamento, e espero que vocês gostem."



Sinopse

Sim, eles são provocadores. Em alguns momentos nos irritam. Podemos perder a paciência com eles. Porém, nos surpreendem com um gesto, uma palavra, um olhar — literalmente, nos desconcertando. Podemos não perceber, mas são o nosso farol para não perdermos a esperança e acreditar na possibilidade de mudança e de futuro. Nossos adolescentes, jovens, são aqueles que já fomos, quase como um espelho, mas em uma proposta caleidoscópica, e estão à nossa volta. [...] E como podemos conhecer os jovens trazendo a psicanálise na bagagem, sem ser invasivo com essas singularidades que tanto preservam (acredite) sua privacidade? A estratégia foi analisar aqueles que permitiram tornar pública sua história. A escolha pelas escritas biográficas de Malala Yousafzai, Kevin Breel e Greta Thunberg não foi aleatória.


Adquira o seu exemplar impresso ou e-book.



Quando você entendeu, ou decidiu, que queria tornar-se uma escritora? E com qual idade escreveu o seu primeiro texto?


A escrita sempre esteve presente na minha trajetória acadêmica e pessoal. Desde muito jovem, aos 14 anos, percebi que escrever era uma forma de organizar pensamentos, compreender o mundo e também elaborar inquietações humanas e sociais. Mas meu primeiro texto mais estruturado surgiu ainda na universidade, em trabalhos e pequenos ensaios reflexivos. Mais tarde, a escrita se tornou parte essencial da minha vida intelectual e profissional.



Qual foi o tema abordado? Pode falar um pouco sobre o que lhe motivou a abordar esse tema?


Meus primeiros textos giravam em torno das relações humanas, da educação, da juventude e das questões sociais. Sempre fui movida pela curiosidade sobre o comportamento humano, os afetos, os conflitos sociais e o sofrimento contemporâneo. A sociologia e a psicanálise, uma entrada na maturidade em minha vida, me ofereceram caminhos para interrogar essas questões e transformá-las em pesquisa, reflexão e produção escrita.



Hoje, você se considera uma escritora de qual gênero literário?


Considero-me uma escritora voltada principalmente para a escrita acadêmica, ensaística e reflexiva, com forte diálogo interdisciplinar entre sociologia, psicanálise, educação e cultura contemporânea. Também gosto de uma escrita mais humanizada, que aproxima teoria e experiência cotidiana.



Qual é o seu maior desejo em relação à escrita?


Meu maior desejo é que a escrita possa provocar reflexão, ampliar sensibilidades e ajudar as pessoas a compreenderem melhor a si mesmas e o mundo em que vivem. Acredito na escrita como espaço de transformação subjetiva, produção de pensamento crítico e construção de novos olhares sobre a sociedade.


Pode citar o(s) seu(s) livro(s) favorito(s) e escritor(es) favorito(s):


Tenho muitos autores que marcaram minha trajetória intelectual e humana. Na psicanálise, Sigmund Freud e Jacques Lacan foram fundamentais para minha formação crítica sobre o sujeito e o mal-estar contemporâneo. Na sociologia e no pensamento social, destaco Zygmunt Bauman, Edgar Morin, Hannah Arendt, Paulo Freire, Boaventura de Sousa Santos e bell hooks, autores que me ajudaram a pensar questões como educação, cultura, poder, subjetividade e transformação social.


Entre os livros que mais me impactaram estão O mal-estar na civilização (Freud), Modernidade líquida (Bauman), Os sete saberes necessários à educação do futuro (Morin) e Pedagogia da autonomia (Paulo Freire). São obras que dialogam intensamente com minha atuação como professora, pesquisadora e escritora.


O que está lendo atualmente?


Atualmente tenho lido obras sobre subjetividade, vulnerabilidade, cultura contemporânea e relações humanas. Entre as leituras recentes, destaco A coragem de ser imperfeito, de Brené Brown, que aborda autenticidade e vulnerabilidade em uma sociedade marcada pela performance e pela exposição constante. Também tenho me dedicado a leituras que articulam psicanálise, vida social e juventude, especialmente autores que discutem os impactos da cultura digital, das transformações sociais e dos novos modos de sofrimento psíquico nas gerações contemporâneas.



Para você, como a literatura e a leitura podem modificar a vida das pessoas, especialmente daquelas que gostam de ler?


A leitura amplia horizontes, desenvolve empatia e ajuda o sujeito a acessar outras formas de existência e pensamento. Ler é também um exercício de imaginação, escuta e autoconhecimento. A literatura pode transformar vidas porque permite que as pessoas se reconheçam, questionem certezas e encontrem novas maneiras de interpretar suas experiências.


Na sua opinião, como os escritores podem ajudar a impulsionar o gosto pela leitura em nosso país?


Os escritores podem aproximar a leitura da vida cotidiana das pessoas, tornando o livro um espaço de diálogo e não apenas de obrigação escolar. É importante produzir textos acessíveis sem perder profundidade, incentivar encontros literários, dialogar com as novas gerações e utilizar também as mídias digitais como ponte para a formação de leitores.


Uma citação marcante:


“Eu não sou mais aceita pelos que me aceitam: não procuro mais me acomodar. Tornei-me uma inquietação.”

— Conceição Evaristo.



Algumas palavras para os seus leitores:


Espero que cada leitura seja também um encontro consigo mesmo. Ler e escrever são formas de resistência, de criação e de cuidado com a nossa humanidade em tempos tão acelerados. Que nunca nos falte curiosidade, sensibilidade e desejo de aprender continuamente.

 
 
 

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